Em abril meu blog completou um ano e estou com o rascunho deste post salvo desde aquela época. Minha intenção era ter aproveitado a tentativa de quase-BEDA para publicar um texto sensacional no dia exato do aniversário do blog. Uma breve análise da barra lateral indica que a tentativa não só foi um fracasso, como a quantidade de posts foi paupérrima. E é isso aí, vida que segue, tem outros desafios. E cá estou, quatro meses e um dia depois, tentando novamente. Dessa vez, determinada a obter êxito. 

Pois bem, em abril meu blog completou um ano. Juro que não quero parecer piegas ao dizer coisas como aaaaah-nossa-mas-parece-que-foi-ontem!, mas sim, parece que foi ontem. Claro que, analisando em retrospecto, me dou conta de que mais de 365 dias se passaram desde aquela madrugada de insônia na qual, sem ter muito o que fazer além de pensar na vida, decidi alterar todo o layout da página e publicar o texto que iniciaria o próximo capítulo da minha existência na world wide web. Como disse, estava vivendo muitas e constantes revoluções internas - de certa forma, ainda estou - e cada dia era uma novidade, uma nova Michelle, uma nova quantidade de ideias e concepções sendo destruídas e construídas. E nessa de tentar me (re) encontrar, voltei também a escrever.
Abril 2016 - Agosto 2016

É engraçado como, sem nos dar conta, parte de nós adormece. E aí, um belo dia - ou uma não tão bela madrugada -, decide acordar. Desde que comecei a existir na Internet, em 2005, ter um lugar para chamar de meu se fez essencial e foram algumas as residências. Todas elas, aliás, de acordo com as fases que vivia. Tive Flogão (!!!!) para comentar os filmes que eu assistia na época em que aspirava me tornar uma crítica de cinema especializada para poder entrevistar o Steven Spielberg. E como se a ambição já não fosse enorme, decidi que precisava criar também uma conta para expressar todo o meu amor por Star Wars. Como podemos ver, minha versão adolescente já gostava de escrever sobre aquilo de que era entusiasta. 


Passados alguns anos, já na faculdade de jornalismo e, obviamente, dona de aspirações menores, criei meu primeiro espaço na plataforma Blogger, cujo nome partia de uma frase do Willy Wonka Depp e trazia o subtítulo mais pisciano possível: os desabafos de uma mente perturbada pelas loucuras da vida #eu #hiperbólica.  Além de reclamações sobre a vida universitária - ou sobre tudo, de uma forma geral, pois revoltadíssima -, lembro de expressar um pouco das minhas reflexões e crises acerca da-vida-do-universo-e-tudo-mais por lá. Muito mais do que ter um espaço na internet porque era isso o que se esperava de jovens jornalistas em formação, aquele blog era um registro do que se passava pela cabeça de quem ainda estava começando a viver e enxergava o Mundo Real™ pela primeira vez. Foi ali que Michas, o apelido, nasceu.
O canto da vitória quando o BEDA 2016 foi concluído com sucesso 

Depois foi a vez deste espaço - mais ou menos isso, mas bear with me - ganhar vida, refletindo tudo o que fazia parte de quem eu era naquela época, aos 22 e happy-free-confused-and-lonely-in-the-best-way: uma jovem prestes a se formar, que dedicava todo o seu tempo à faculdade, à família e ao ex-namorado (que na época não era ex, óbvio) e que adorava o Instagram. Foram muitos os posts diarinho com os highlights dos dias na faculdade, das leituras do TCC, dos cineminhas, passeios nos parques e cães. Quando penso na Michelle de 22, penso também em filmes com a Marilyn Monroe, músicas da Lana Del Rey , brusinhas fofas e a cor rosa. La vie en rose. Michas Booktuber nasceu um ano depois e após um período meio largado, transformei o espaço em um blog literário para complementar o canal. Mantive o mesmo nome por um tempo até mudar para o meu próprio e, depois, para o do canal. Aí, veio 2015, também conhecido como o início do meu 2016, e tudo mudou. E como sabemos, as mudanças não acontecem de forma óbvia e veloz. Muito pelo contrário, elas demandam tempo e consideráveis doses de desconforto e, como jamais poderia ser diferente, desajuste.

Foi inevitável que eu precisasse novamente de uma válvula de escape. Quando a única coisa que eu conseguia fazer na internet, falar sobre livros, começou a perder o sentido, aquela vontade de escrever puramente pelo prazer da escrita, sem me restringir a algum nicho e que permanecia adormecida há anos, despertou. E foi então que comecei a compreender o porquê disso tudo. O porquê de eu estar aqui, em pleno 2017. O porquê de escrever textões quando tudo de que a gente precisa para se comunicar são singelos 140 caracteres. Digo o tempo todo que escrevo para me lembrar e não estou mentindo. É claro que tô registrando quem eu sou para que um dia eu possa me recordar de tudo isso. Mas mais do que para lembrar, escrevo para me compreender e me enxergar. Ao que tudo indica, virei gente que escreve
Setembro 2016 - Janeiro 2017

É muito louca essa coisa de escrever sobre você na internet, tanto porque parece contrariar toda e qualquer recomendação de adultos responsáveis para que não nos expuséssemos e falássemos com estranhos, quanto porque, sem perceber, parece que a gente começa a se enxergar pela primeira vez a partir de nosso próprio olhar, só que sem usar os nossos olhos. Assusta bastante, sem sombra de dúvidas, mas também liberta. Se tem um negócio que me desespera é a sensação de estar presa, então poder me libertar por meio da escrita é muito reconfortante.

Percebo também que escrevo para conectar. Sempre escrevi. Aos 15 e desajustada, quando falava dos filmes que assistia, queria encontrar pessoas com os mesmos interesses que eu. Aos 19, quando lamentava as injustiças do universo e vivia uma constante overdose de Pink Floyd, fiz algumas amizades virtuais que mantenho até hoje. O mesmo aconteceu no BoookTube, quando histórias me apresentaram pessoas incríveis e que hoje considero minhas amigas. Com o Lunatic Pisces não poderia ser diferente e se tem uma coisa que posso tirar de positivo do apocalíptico 2016 é a nossa Cilada. 
Fevereiro 2017 - Junho 2017

Se escrever é, em si, uma experiência muito louca, se deixar cativar pela escrita de alguém e a essa pessoa se conectar de alguma forma é simplesmente algo maravilhoso demais para que possa ser colocado em palavras. Não sou uma pessoa de muitas amizades, mas hoje falo com segurança que a Manu, a Tati, a Mia e a Sharon tem um lugar muito especial no meu coração e são sim minhas melhores amigas. O vínculo que a gente criou, meio sem perceber, mas por conta de nossos blogs e nossas relações com a escrita (além de afinidades como Harrison Ford, Downton Abbey e Harry Potter), se transformou em algo tão essencial e parte intrínseca da minha rotina, que nem me lembro de como era antes de não tê-las no meu mundo. É bom demais que, ao menos em uma esfera da minha vida, eu não precise me ajustar e possa ser quem eu sou, sem ter que medir palavras, sem ter medo de me mostrar vulnerável e poder confiar em pessoas que eu sei que realmente me querem bem. (Amigas, saibam que eu amo vocês). E eu agradeço ao blog - e à internet - por isso.♥
Junho 2017 - Agosto 2017

Ainda que o post tenha começado a pender para algo mais sentimental, sinto que meu dever como ~blogueira~ e gente que escreve sobre si é compartilhar um pouco da sabedoria adquirida ao longo de pouco mais de um ano de jornada. Não que eu seja um case de sucesso; estou, inclusive, improvisando essas dicas agorinha mesmo. Por favor, não desistam de mim.

Só escreva
Calma, não tô dizendo que você só deve escrever. É mais um voto de confiança mesmo, sabe? Para o caso de você estar pensando em começar a escrever sobre si ou apenas criar um blog para exercer a sua escrita e ficar encontrando ou impondo obstáculos. Quando isso acontecer, feche os olhos, respire fundo e só escreva. Você vai se surpreender, vai se sentir mais leve e, no final, vai adorar o resultado.

Escreva para você
Acho que esse é um conselho válido em qualquer situação que envolva escrita. Pense no que você gostaria de ler e escreva a partir dessa perspectiva. Não falo tanto em relação aos assuntos abordados, mas mais à estrutura do texto. Pense assim: você leria o que você escreve? Particularmente, quando penso em blogs pessoais, o que mais me atrai é a personalidade de quem escreve e isso pode ser percebido por seus textos. Ou seja, o importante é se soltar, ser você e encontrar a sua voz. Escreva como se falasse para você e sobre o que você gosta. Lembre sempre que você é a primeira pessoa que deve ficar feliz com seu blog.

Os sentimentos são os únicos fatos
Provavelmente, a dica mais indispensável de todas. Seja lá o que você for escrever, o importante é que isso te faça sentir algo. Não precisa ser algo profundo e que te faça compreender a origem da essência humana, te leve à crises existenciais ou te destrua em lágrimas. Pode ser algo bem besta, mas que te faça gargalhar. Ou até meio inexplicável, como se descobrir fã de uma boyband. O segredo aqui é sentir. Sempre.

Qualquer coisa vira uma boa ideia
Sabe aquele dia que parece que Deus te odeia e colocou Murphy no seu caminho? Ou aquele chocolate quente delicioso que você bebeu em uma tarde de domingo bem gelada? Ou então aquele filme que todo mundo detestou, mas você achou bem honesto? Então, tudo isso vira assunto para o blog. Tudo é pauta em potencial. Se você lembra disso e junta com a primeira dica, o resultado será um sucesso. Vai por mim. 

Respeite o seus limites e o seu tempo
Não é todo dia que a gente acorda inspirado e se forçar a escrever sem vontade é tão ruim quanto abrir o pote de sorvete e encontrar feijão. É muito frustrante. Sem contar que, ao nos obrigarmos a escrever apenas porque sim, podemos acabar por detestar o texto e até criar algum tipo de bloqueio criativo. E, convenhamos, a criatividade existe para ser livre. Então, só escreva quando estiver com vontade, quando sentir que vai te fazer bem e leve o tempo que for necessário. O importante é ser feliz.
Minha ideia inicial era montar uma lista com os posts que mais gostei de fazer, mas ao escrever o texto e adicionar os prints com os antigos layouts do blog, me dei conta de que o resultado seria um post enorme. Por isso, deixei a lista para outro dia. Aguardem (ou não, 'cês que sabem).



3 Comentários

  1. Já passei por vários momentos Blogger, épocas em que fiquei afastada, epocas que a criatividade estava a mil, acho que esses momentos são necessários para o nosso amadurecimento como blogueiras. Hoje eu sempre estou com uma caderninho, quando vem alguma ideia na minha cabeça já anoto para depois escrever sobre. Muito boa suas dicas, virei sua fã no momento que vc disse que ama Star Wars nesta postagem e que havia criado uma conta apenas para isso kkkk
    Bela reflexão !
    Abraço
    https://poetizandomaria.blogspot.com.br/

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  2. que bom que você escreve, Michas! eu descobri teu blog agora e posso dizer que adoro te ler. eu acho o máximo voltar uns textos no blog e se perceber, se reconhecer (ou não - mas í é legal também ver o quanto a gente mudou!)

    todas as sugestões que vc deu sobre escrever são muito, muito boas mesmo, inclusive!

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  3. PARABÉNS, LUNATIC!!!!! Que ele viva ainda por muitos anos, amiga, porque estamos aqui pra ficar com os nossos desabafos e tudo o mais. Acho que não tem nada melhor do que isso: poder escrever, colocar os pés pra cima aqui na internet e só bater um papo, falar sobre as melhores ou piores coisas da vida. TAMBÉM AMO VC, MENINA <3 <3 (e adorei a retrospectiva de layouts: o novo inclusive tá lindo!!!) :***

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