(Ou: Aquele com uma amostra do que rola na minha cabeça)


- Então, hoje você não postou de novo...

- É, eu sei. Decidi que só iria escrever depois que o post de domingo estivesse pronto. Que só iria escrever outro post, digo.

- Mas você já tem oito textos iniciados na sua pasta de rascunhos, não dava para aproveitar algo ali? De repente continuar, algo assim? 

- Dificilmente chamaria aqueles parágrafos de textos. O que joguei ali são apenas palavras forçadas e desprovidas de personalidade. E, não, obviamente não dá para aproveitar.

- Pera, não é bem assim. Não precisa ser tão dura. Seja gentil com você, lembra? Talvez os textos não estejam exatamente como você queria, mas não estão ruins. E que tal algum meme? Eles são sempre práticos e você sempre se diverte quando os responde.

- E qual parte do "desprovida de personalidade" você não está entendendo? Claro que não posso responder um meme, não quando só o que faço é responder memes. Eu preciso escrever sobre mim, sobre a minha vida, sobre o universo, essas coisas. Ninguém se interessa por meme, eu certamente não me interesso.

- Ué, mas a ideia não é se divertir? Tudo bem se você quiser escrever sobre coisas mais ~sérias~ e até sobre a nossa vida, mas você sabe que esses textos são um pouco mais difíceis para nós. Sabe que eles exigem um exercício de vulnerabilidade com o qual não estamos muito acostumadas. Por isso, demandam mais e são bem exaustivos. É completamente impossível escrever um ~textão~ por dia e você sabe disso. E de onde saiu essa história de não se interessar por memes? É claro que se interessa, não há nada de errado com eles. 

- Ok, você tem razão. Eu exagerei. Memes são legais, me divirto respondendo. Mas nenhum me interessa no momento. E eu já disse que não vou escrever outra coisa enquanto o texto que era para sair no domingo não for concluído, pare de insistir.



- Michelle, hoje é quarta-feira. O texto de domingo não vai sair mais no domingo! Escreva qualquer coisa. Nós já chegamos à conclusão de que qualquer coisa pode virar uma boa pauta.

- Não, nós nunca chegamos à essa conclusão. Pare de inventar. Aliás, jamais poderia transformar qualquer coisa em um post. É justamente por isso que montei um cronograma com ideias pensadas previamente para ter tempo de elaborar.

- Sei. E mesmo assim você está quatro dias atrasada e sem a menor vontade de escrever as coisas que estão no seu cronograma. Olha, não quero colocar mais coisa aqui dentro - Deus sabe como está cada dia mais inviável de existir neste lugar, tá tudo muito cheio e caótico -, mas todo esse papo de só querer escrever o post que era para sair no domingo tá me parecendo um pouco de enrolação. Autossabotagem, talvez.

- Agora quem não está entendendo sou eu. Você não acabou de me dizer que preciso ser mais gentil comigo? É exatamente o que estou fazendo, oras. O texto que era para sair no domingo - e que será postado no domingo, óbvio - não está pronto e eu quero que ele fique perfeito. A minha gentileza está no fato de não me forçar a escrever quando não estou sentindo a vibe do texto. 

- Você não está fazendo o menor sentido. Hoje é quarta-feira! Não tem como o post de domingo sair no domingo. A não ser que você esteja falando do próximo domingo, mas aí, teremos uma semana em branco, sem posts. É isso que você quer?

- É claro que não! E obviamente o post não sairá no próximo domingo, mas no domingo passado. 

- Michelle, hoje é quarta-feira. Eu não acredito que você vai alterar a data do post só para ele aparecer no domingo. Isso não é muito autêntico.

- Ah, nem vem com essa conversa de autêntico. Todo mundo edita a vida na internet e a gente pode muito bem fazer isso. Aliás, a gente faz isso. Todo mundo faz.

- Bom, você que sabe. E quanto aos demais posts atrasados, o de segunda e de terça?

- Obviamente serão postados na segunda e na terça. Hoje você tá lerda, né? Tenta acompanhar a conversa.

- Dá um tempo, tô tentando te acompanhar ao mesmo tempo em que desvio desse monte de pensamento desconexo passando aqui do lado. Você realmente precisa fazer uma faxina. E a quantas anda o post de domingo?

- Bom, acho que mais uns três ou quatro parágrafos e tá pronto para ser publicado. Pelo menos era isso que eu achava até a tarde de ontem. Fui ler de noite e, sei lá, talvez eu devesse apagar tudo e começar de novo.

- Pelo amor de Deus, pare com essa enrolação. O texto está bom, acrescente o que falta e publique logo. A gente sabia que ia ser esse chororô todo. Por que não escolheu outro assunto?

- Você sabe o porquê. A gente tinha combinado que os domingos seriam dias musicais. 

- Ok, ninguém tá falando que você não deveria escrever sobre música. Mas tinha que ser logo aquele álbum?

- Claro que tinha. A proposta é: um álbum que mudou a forma como você pensa sobre música. Só existe uma resposta, não dava para escolher outro.

- Você deveria ter optado por uma lista, então. De cantores preferidos ou bandas. Sei lá.

- Não, tinha que ser o álbum. A gente já queria escrever sobre ele há um bom tempo, desde que começamos o desafio dos 30 álbuns.

- Tá, mas precisava ser justo no BEDA?

- E tem época melhor? Você sabe muito bem que se eu deixasse para escrever em outra ocasião, não escreveria.

- Pois é, talvez fosse melhor nem escrever mesmo. Faz o quê?, três dias que você tá escrevendo esse texto? Dá pra sentir o efeito na sua forma de pensar.

- O que você quer dizer? Que papo de efeito é esse? Não tem nada de diferente na minha forma de pensar. Talvez eu esteja um pouco mais calada, mais na minha. Nada fora do esperado.

- Se você diz...

- O que é? Por que essa afirmação reticente?

- Você não deveria ter se proposto a escrever sobre esse álbum. Você sabe como ele mexe com a gente, com as nossas ideias. 

- Não faço a menor ideia do que você está falando. É um álbum excelente e a minha dificuldade em finalizar o texto está no fato de que sei que qualquer coisa que eu escreva jamais estará a altura dele. Nossas ideias estão muito bem, obrigada.

- Bom, realmente, não há nada que você ou eu possamos escrever que faça justiça ao álbum. Nisso você está 100% certa. Mas convenhamos que essa conversa entre você e eu só prova o quanto estamos fora de nós.

- Não, essa conversa não tem nada a ver com isso. Estamos sempre fora de nós e o que ocorre é que, às vezes, nos esquecemos e você fica calada. Só isso.

- É, deve ser. Ainda acho que você não tá batendo bem das ideias, deveria se cuidar um pouco mais. E, pelo amor de Deus, faça uma faxina por aqui. Tá tudo muito apertado, você precisa colocar coisas para fora.

- E o que você acha que eu estou fazendo? O problema é que rola todo um bloqueio. Você sabe, aqueles papos de vulnerabilidade. A gente não é boa nisso.

- Não, não somos mesmo.

- Não somos.

- E o post de domingo tá empacado.

- Tá sim.

- Vai ser um verdadeiro parto.

- Tá sendo, sim.

- É. Então, mas...você não postou hoje de novo...




6 Comentários

  1. Oi Michas!

    Desculpe se eu ri, mas algumas das suas conversas consigo mesma eu faço também =P. E a do post de domingo foi minha favorita, hahaha. É a mágica de se poder colocar a data no post e ele aparecer no dia que você quer, num é? =D HAHAHA

    Eu ando com dificuldades para escrever também. Mas você tá indo bem; você escreve muito bem. Vai que você consegue completar esse BEDA. ;)

    Beijins!

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    1. Oi, Juli

      Hahaha, não precisa se desculpar! Eu mesma ri bastante enquanto escrevia e relia o post; quando decidi que esse seria o post do dia, estava de bom humor e não me levei muito a sério (nunca levo HAHAHA)! No fim, decidi que o post de domingo não iria sair mais no domingo, mas sim quando tivesse que sair. No caso, saiu dia 6 de setembro, uma quarta-feira :)

      Ah, obrigada pelas palavras! Eu ando muito insegura com a minha escrita e nem sei o porquê disso, já que não tenho grandes ambições. É algo que faço por mim, porque me faz bem, me diverte. Não é para ser um martírio! Só que é aquilo, a gente ama complicar o que não está aqui para ser complicado...

      Tem dias que não tem jeito, a gente não faz sentido e vida que segue, ahahaha.

      Beijos

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  2. TAMBÉM TO RINDO AQUI, AMIGA. na minha cabeça sempre rolam altos papos no mesmo estilo, e uma coisa maravilhosa que o BEDA faz conosco (depois, logicamente, desses partos) é botar toda a coisa pra fora em formatos de texto que dois dias atrás a gente jamais arriscaria (e devo confessar: já mudei a data do post pra ele aparecer no dia certo #bjs #abs)
    :***

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    1. AHAHAHHAHAHA AMIGA <3
      Que bom que deu risada, fico feliz, de verdade! Mesmo sem ter pensado muito, acho que a minha intenção era mesmo divertir :)
      E sim, a maior vantagem do BEDA é fazer a gente colocar para fora tudo o que nos aflige ou só povoa a nossa mente. Se a gente se divertir, ótimo. Se descobrirmos coisas novas sobre nós, melhor ainda <3

      E sobre mudar a data de post: quem nunca???

      Beijos

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  3. Mano, amei esse post hahaha. Me fez lembrar de um livro da Cecelia Ahern "A Vez da Minha Vida", o diálogo ficou muito parecido com os que a protagonista tinha com a Vida dela, você vai finalizar esse Beda com sucesso, fica tranquila!!! Tamo junto, rs.

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    1. Obrigada pelas palavras, Bruna! Fico feliz que tenha gostado do post :)
      No fim, meu BEDA foi meio fajuto, mas me diverti e é isso que importa. Não conheço esse livro, mas vou pesquisar!

      Beijos

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