Eu sou uma pessoa que abandona livros, mas nem sempre foi assim. Houve uma época em que terminar uma leitura era praticamente uma questão de honra para esta que vos escreve. Não me interessava se a história não tinha ganhado meu coração, se a narrativa era enfadonha ou se os personagens eram pouco cativantes; se eu tinha me proposto a ler, ler eu iria. Até o último ponto final, nem que cada virada de página consumisse toda a minha força vital. Sinceramente, não sei onde foi que aprendi a pensar assim, mas acho que só adotava tal postura por achar que minha opinião sobre um livro só poderia ser considerada ~relevante~ se eu tivesse vencido todas as suas páginas. Não sei até que ponto concordo com esse raciocínio, visto que, em partes, ele faz um certo sentido - como é que posso compreender uma obra se não a absorvi por completo? -, mas tenho para mim que, quando leio, meu bem-estar deve vir em primeiro lugar. O que pode significar muitas coisas, desde o puro entretenimento e conforto da leitura até o aprendizado e as reflexões proporcionadas. E, convenhamos, não há possibilidade de bem-estar quando a gente se obriga a fazer algo.

Por isso, comecei a valorizar muito essa coisa de momento certo para determinadas leituras. Em alguns casos, o tal do momento simplesmente não existe e a melhor decisão é abandonar a leitura mesmo - a vida é curta demais para perder tempo com livro ruim, gente -, mas tem também aqueles casos de quando as estrelas não estão alinhadas, sabem? O bom e velho não é você, sou eu. Tem livros que só pelo título já sei que foi para lê-los que vim ao mundo, que eles foram feitos sob medida para agradar a minha pessoa e, justamente por isso, quero que o nosso contato ocorra nas melhores condições possíveis. Gosto de ser justa com eles. E é por esse motivo que, algumas vezes ao longo dois últimos anos, abandonei algumas leituras dessincronizadas com meu modus operandi na época e me certifiquei de prometer que um dia nos reencontraríamos. O post que trago hoje é um registro dessas promessas. Para me lembrar, claro.

Oliver Twist (Charles Dickens)
Sobre o que lembro que é: Oliver Twist é um garotinho órfão, mas tem todo um mistério sobre as suas origens. Ele passa por maus bocados no orfanato, é influenciado por pessoas bastante questionáveis, mas também encontrará alguma bondade em seu caminho.
O motivo do abandono: estava gostando, porém, a narrativa de Dickens - um excelente contador de histórias - é bastante descritiva. É o tipo de leitura que leva um certo tempo e, com meu péssimo costume de ler um milhão de coisas ao mesmo tempo, acabei perdendo o interesse.
O porquê da segunda chance: é um clássico que desperta meu interesse há bastante tempo, Charles Dickens está na minha lista de autores para conhecer antes de morrer e gosto de romances vitorianos.

Crime e Castigo (Dostoiévski)
Sobre o que lembro que é: Raskolnikóv é um estudante de Direito que passa por dificuldades financeiras. Em determinado ponto, no início da história, ele comete um crime e, pelo que entendi, o resto do livro acompanha o desenrolar do acontecimento, com o protagonista lidando com as consequências de seu ato. É bastante psicológico.
O motivo do abandono: apesar de nunca ter me interessado pelo livro, resolvi embarcar na leitura durante um desafio literário que participei em 2013. Surpreendentemente, me intriguei com o livro e estava, na medida do possível, gostando da leitura. O único problema é que parecia ter algo de errado na tradução da edição que eu tinha, além do fato de que, por ser um desafio, tinha aquela coisa de prazos e eu não sei lidar com esse tipo de coisa quando estou me propondo a ler um temido clássico russo.
O porquê da segunda chance: como disse, estava gostando da leitura, mas o momento não era o mais oportuno.

20 mil léguas submarinas (Jules Verne)
Sobre o que lembro que é: tem um sumbarino, cujo capitão se chama Nemo, que é o terror dos sete mares. Em determinado momento acompanhamos uma viagem. Só lembro isso (risos).
O motivo do abandono: eu tinha 15 anos (acho) e as milhares de descrições sobre vegetação (?) do mar pareciam coisa de livro de biologia. Era bastante entediante.
O porquê da segunda chance: Jules Verne é um dos autores que mais gostava de ler quando era mais nova e está entre os nomes que marcaram o início da minha história como leitora. Seus livros são cheios de aventura e são exemplos daquele tipo de história de exploração dos ~continentes desconhecidos~ que se tornaram bastante populares no fim do século XVIII e início do século XIX. Adoro essas histórias.
Estação Onze (Emily St. John Mendel)
Sobre o que lembro que é: a humanidade vive em uma realidade meio pós-apocalíptica e acompanhamos uma companhia de teatro itinerante que apresenta peças de Shakespeare pelos lugares que passa. Não lembro dos personagens, nem como eles se relacionam. Contudo, o livro promete altas reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais.
O motivo do abandono: comecei a ler em algum ponto do segundo semestre de 2015, que foi quando o meu 2016 começou, e a aNsIeDaDe estava inviável. Estava achando tudo no livro bastante entediante, não me interessava pelos personagens, etc.
O porquê da segunda chance: sinceramente, já tinha separado para doar quando conversei com a Sharon, que me disse que o livro era um dos preferidos de toda a sua vida. Depois desse elogio, decidi que precisava dar uma segunda chance. Um dia.

Joe Speedboat (Tommy Wieringa)
Sobre o que lembro que é: Tem um menino que narra a história, ele é o irmão mais novo de três (acho) e tem alguma deficiência física. Um dia, ele conhece Joe Speedboat, um outro menino, e foi aí que parei de ler. Acho.
O motivo do abandono: basicamente os mesmos do livro anterior, pois comecei a ler na mesma época. Só que, nesse caso, eu estava gostando muito da leitura e da narrativa. O livro era como um abraço e a sensação era sempre de conforto. Decidi abandonar porque ele merecia mais de mim, ou seja, um momento bom para ser lido. 
O porquê da segunda chance: sei que vou amar.

Os livros da selva (Rudyard Kipling)
Sobre o que lembro que é: são várias histórias, que contam as aventuras do menino Mogli na selva. Se não me engano, na segunda parte do livro, outras histórias começam a aparecer também.
O motivo do abandono: não sou muito instável com a leitura de livros de contos, por isso, costumo intercalá-los com outras leituras. Eventualmente, nesse caso, fui deixando que as outras leituras ganhassem mais atenção e me esqueci dele. Agora, esqueci quase tudo que já tinha lido.
O porquê da segunda chance: estava gostando da leitura, é um clássico e tem aquela ~vibe~ de aventura-exótica-de-exploração-de-continentes que eu comentei previamente.
Do que é feita uma garota (Caitlin Morin)
Sobre o que lembro que é: o livro tem um quê de autobiográfico e traz a história de uma garota de 13 anos que sonha em escrever resenhas de discos para revistas especializadas em música. Em determinado ponto, ela consegue um estágio. É tudo meio mirabolante, mas divertido.
O motivo do abandono: são questões, mas acho que o principal motivo é que eu deixei o livro parado por um tempo durante o BEDA do ano passado e aí, perdi o interesse. 2016 foi um ano bem terrível para as minhas leituras, o foco se fez bastante ausente.
O porquê da segunda chance: é um livro divertido e, apesar de ter algumas questões com ele, tenho interesse pela história. Gosto do humor da autora.

Extraordinário (R.J. Palacio)
Sobre o que lembro que é: Auggie é um menino de dez anos (acho) que tem uma deformação no rosto desde que nasceu. Por conta disso, ele sempre viveu meio isolado e super protegido por sua família. Aí, ele decide que quer ir para a escola e tentar ser um ~menino normal~. É um livro que vai tratar, principalmente, de bullying e preconceito.
O motivo do abandono: não faço a menor ideia, porque eu estava amando o livro. Acho que foi mais um caso de outras leituras que foram chegando e atropelando tudo.
O porquê da segunda chance: o livro é lindo e, como disse, estava amando. Como tem filme ainda esse ano, vou tentar ler até lá!

Os meninos da Rua Paulo (Ferenc Mólnar)
Sobre o que lembro que é: um grupo de meninos que todos os dias, depois da aula, se encontra na Rua Paulo, que é tipo o QG do clubinho deles. Eles irão ~disputar o território~ com o grupo de meninos de outra escola. Tem jeito de história de galerinha da pesada que apronta altas confusões. Por ser uma obra publicada antes da Primeira Guerra Mundial, tem todo um quê de inocência - algo que se perdeu, de maneira geral, depois que o mundo viveu os horrores da guerra.
O motivo do abandono: apesar de gostar desse tipo de história, não estava no clima. Além disso, achei a narrativa meio ~de velho~ e cheia das gírias datadas. Mas, como disse, é mais uma coisa do momento mesmo.
O porquê da segunda chance: senti, pelo pouco que li, que é uma história de que vou gostar. Muitas pessoas recomendam e dizem que é um livro bem bonito.



8 Comentários

  1. também abandonei Crime e Castigo e tenho vontade de retomar um dia, hehe. :)

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    1. Pois é, Roberta, creio que seja um livro que a gente precise estar no clima para aproveitar, né? Um dia eu leio, haha!

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  2. Lembro de ter lido Verne e amado, mas, sinceramente, não lembro se foi o que você citou ou se foi o Volta ao Mundo em 80 Dias haha Estranho como tem livros que a gente leu há muito tempo e não lembra, né?
    Entendo o que você disse sobre Extraordinário. Já parei de ler vários livros ótimos porque outros foram chegando e começa as obrigações da faculdade e eu acabo largando.

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    1. HAHAHAHA, olha, nunca aconteceu de eu confundir os livros que li, mas eu misturo histórias, sabe? De vez em quanto, até confundo com filmes e séries. Principalmente se for algo que conheci há muito tempo. Também acontece de eu esquecer da história, mesmo sabendo que li o livro. Os do Jules Verne mesmo são meio nebulosos na minha memória AHAHAHHAHA

      Pois é, quero muito ler Extraordinário com a atenção e a dedicação que ele merece, pois a história ganhou meu coração e eu estava adorando a leitura.

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  3. Taí um tema que estava cogitando para o BEDA e sempre tive a mesma sensação, de me sentir péssima por deixar um livro incompleto, mas é muito coisa de momento, às vezes não é a hora, novamente, não dá pra forçar. Bjs.

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    1. Sim, Bruna, alguns livros precisam ser lidos em determinados momentos e não adianta forçar a leitura, né? Se a gente força, a experiência se estraga.
      E tem também aqueles livros que sabemos que não é para a gente, sabe? Então, não vejo muito sentido em me forçar a ler algo que sei que não vou gostar. Nesses casos, prefiro largar de vez mesmo e partir para algo diferente.

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  4. To compartilhando com você a separação com Oliver Twist e Estação Onze - o segundo estava tudo muito bom, tudo muito bem, mas sei lá pq NÃO DEU. No caso do Dickens, foi mais um caso de inventar de ler em inglês e morrer no idioma e não entender nada. Quero tentar os dois novamente também. Extraordinário!!! Amiga, pega esse pra ler esse ano, hahahaha. É fofinho, rápido e adorável! <3

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    1. Amiga, eu estava adorando Oliver Twist (livro em português), mas acho que esses romances mais clássicos exigem um ~estado de espírito~ para serem aproveitados e a real é que faz um tempo que não entro nesse estado; aí, prefiro não forçar HAHAHAHHHAA

      Olha, eu tentei ler Estação Onze em 2015 e acho que cheguei na metade e nem estava gostando. Tinha até largado e separado para doação, porém, Sharon me convenceu de que eu PRECISAVA ler. Agora, o livro voltou para a estante e vai ficar lá até que eu sinta que chegou O MOMENTO OPORTUNO ahahhahaa

      Vou tentar ler Extraordinário ainda esse ano sim, pode deixar :)

      Beijos

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