(Ou: Lá e de volta outra vez)

Sempre gostei de escrever diários. Mesmo com uma enorme lacuna durante os anos de faculdade e mais alguns que vieram depois, tentei, ainda que de forma pouco disciplinada, manter alguns registros de memórias e tenho mantido um diário mais ou menos consistente desde o ano passado. Digo mais ou menos porque nunca me cobrei para manter registros frequentes, o importante era escrever sempre e toda vez que sentisse vontade. Aí, esses dias, conversando com a minha amiga Manu, me dei conta de que não escrevo no meu journal - palavra chique para diário - desde o final de abril, que, coincidentemente - ou não -, foi a mesma época em que o blog entrou numa fase de parcas atualizações.

Apesar de ter me prometido que não ia complicar aquilo que faço por pura diversão, contraditória que sou, foi inevitável ficar com a pulga atrás da orelha. Obviamente, comecei a problematizar o porquê ou porquês de não estar escrevendo no meu diário e, depois de muito refletir, cheguei às seguintes conclusões: 1) Não estou escrevendo porque não quero; 2) não estou escrevendo porque não tenho sentido a necessidade de o fazer. Vejam bem, percebi que só recorri às páginas do meu diário de papel em momentos de completo descaralhamento de cabeça e as utilizei como uma válvula de escape, como se, ao colocar alguns desabafos em um pedaço de papel, parte do peso imaginário saísse das minhas costas e eu pudesse finalmente respirar novamente com o auxílio da leveza recém adquirida. Analisando em retrospecto, faz total sentido que tenha sido assim, tendo em vista o caos emocional que foi o apocalíptico ano de 2016. Eu realmente precisei lançar mão de todos os recursos ao meu alcance para poder manter a sanidade.

Como resolução de ano novo, decidi que não ia, sob hipótese alguma, me entregar para a ansiedade e todos os elementos que ela traz em seu encalço. Modéstia parte, estou me revelando bem sucedida em tal missão. Aos trancos e barrancos, claro, pois jamais poderia ser diferente, mas tem funcionado. Assim, com o emocional ~mais ou menos~ sob controle, não vejo motivos para manter um diário no momento. E tudo bem. Só que lembram daquela coisa de escrever para me lembrar? Então, como é que vou registrar minhas lembranças se não estou escrevendo? Não é como se eu estivesse ficando mais jovem e a minha memória pudesse dar conta do recado. Além disso, reservo o journal para as fases mais complicadas, ou seja, só tem bad vibes. Nas palavras de Manu: quem ler aquilo vai achar que minha vida é uma tragédia. E isso está muito longe da verdade. A vida pode não ser perfeita, pode não estar como eu imaginei, mas jamais diria que é ruim. E eu preciso me lembrar disso, porque a vida é feita de momentos e estes são bons e ruins. Então, se é para registrar, que seja tudo.


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Desde que resolveu nos agraciar com a sua chegada, 2017 tem se mostrado um ano muito mais equilibrado que seu antecessor, com pouquíssimas crises e boas doses de autoconhecimento. De forma geral, dá para dizer que os últimos sete meses foram feitos de estabilidade emocional, paz e tranquilidade. O pequeno hobbit que vos escreve decidiu que era chegada a hora de fazer uma pausa na jornada. Uma pausa para respirar, analisar os mapas e comer umas lembas élficas. Tem sido um momento de gentileza para comigo, de aprender a respeitar os meus limites, de pouca conexão e muita introspecção. E de Harry Styles também.
Foram meses de céu ensolarado, exercícios físicos, muito rock 'n roll, sono saudável, gargalhadas gostosas, comidas deliciosas e conversas sempre sensacionais com amigas incríveis (Ciladetes, amo vocês!) e os melhores pais do mundo. Teve crise, desencantamento com a vida adulta e com a humanidade de uma forma geral? Claro que teve, sou de Peixes, tô aqui para isso. Mas também estou aqui para sentir e aprender com todas essas experiências. E, meus caros, tô gostando deste ponto da aventura que é viver. Só lamento a quase inexistência de gostosura canina (amicão <3) e, claro, de registros neste prestigioso espaço das internets.

E é por isso que, depois dessa enrolação desse update com uma pegada motivacional, lhes comunico que este post nada mais é do que a introdução de mais um capítulo do bloguinho. Resolvi, mais uma vez, embarcar em uma canoa furada e se você está pensando a mesma coisa que eu, você pensou certo, caro leitor. Vai ter BEDA. Novamente, estou me propondo o desafio de preencher as páginas do meu diário virtual durante os trinta dias do mês de agosto. É uma tentativa de voltar a escrever e, principalmente, registrar. Escrever para me lembrar. Seguindo o ~padrão~ das edições anteriores, os posts serão sobre tudo e sobre nada: alguns devaneios lunáticos, exercícios de vulnerabilidade, pitacos sobre livros, filmes e séries, muita música e, claro, memes. Há sim a possibilidade de eu mudar de ideia e escrever sobre quaisquer outros assuntos; e não posso ignorar um potencial naufrágio da embarcação. Mas como gosto de dizer que escrevo para mim, garanto que vou me divertir durante o processo e vocês estão mais que convidados para acompanhar. E, claro, para embarcar também. Vai ser incrível!




4 Comentários

  1. Eu amo girassóis e preciso dizer que essa foto do Harry me deixou plena <3
    Adorei esse formato de post, Michas, me deixou com o coração muito quentinho.
    Vai dar tudo certo, te espero no último dia de BEDA <3

    Limonada (antigo Novembro Inconstante)

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  2. TAMBÉM TE AMO MICHELLINHA <3 <3 to aqui com o coraçãozinho todo quentinho por ter sido citada nesse post, ahahaha. Amiga, como vc OUSA dizer que isso é um começo chocho para o BEDA???? Adoro a sua forma de escrever, e vou adorar ler suas lembranças aqui. <3 <3 #vaiterbedasim #ehtois #vaicilada #TOP

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  3. Registrar memórias é meu grande problema e foi uma das razões pelas quais eu quis começar com o blog. E essa coisa de só recorrer ao journal quando a coisa tá ruim: me identifico. Só que, de um tempo pra cá, comecei a sentir falta dos registros bons também, sabe? Sei que eu PRECISO escrever pra aliviar o desgraçamento mental, mas quando leio aquilo realmente tenho a impressão de ter uma vida de merda e sem sentido, o que não é verdade. Pra isso veio o blog (ou mais ou menos isso, porque eu também acabo chorando umas pitangas lá).
    Que bom que esse ano está mais leve pra você :) e eu amei essas montagens com florzinhas ♥
    Beijos e bom BEDA

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  4. Encontrei teu blog numa lista de blogs participantes do BEDA e incluí no meu Feedly para ir acompanhando, mas só hoje consegui entrar em todos e, gata, me apaixonei! Usei o BEDA com o mesmo intuito, furei alguns dias, mas estou indo até bem, ta funcionando :) Bjs.

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