Eu, que passei os últimos quatro anos falando sobre livros na internet, não sei mais fazer isso. É sério, perdi o jeito; não sei mais fazer resenha. Não confirmo e nem nego que, talvez, seja este o motivo para o quase completo desaparecimento de posts literários que não sejam memes. A última resenha de verdade, se não me engano, saiu em abril. Só que, ainda que tenha me tornado uma leitora lerda e de ocasião, não é como se eu não tivesse lido livro algum nos últimos quatro meses. Li sim e quero comentar o que achei, só não estava sabendo muito bem como o fazer. Como pessoa que devaneia em textos que sou, percebi que para voltar a falar sobre livros, precisaria ir direto ao ponto, evitando me perder em rodeios e falando logo o que tiver que falar Por isso, decidi que agora vou usar uma estrutura-tipo-meme quando quiser fazer review por aqui, mais ou menos como fiz neste post. E para inaugurar este novo estilo  - by the way, completamente inspirado no que a minha amiga Mia faz lá no Wink -, não poderia escolher outro livro que não fosse um dos meus principais motivos de fangirling recentes: The Scorpio Races, da Maggie Stiefvater. ♥

Sobre o que é?
Em termos mais gerais, diria que é uma história sobre se descobrir, se encontrar e se libertar; com um pouco de romance, dramas familiares e fantasia. Falando de forma mais específica, o livro traz a história de dois personagens, Puck e Sean. Ambos vivem em Thisby, uma ilha minúscula em que todo mundo se conhece e na qual é quase impossível ter uma perspectiva de vida que vá além daquilo que dizem que você deve ser. Ou seja, ou você vai embora, ou você fica por lá e se contente com o que puder. A principal fonte de renda da ilha vem por meio da Corrida de Escorpião, um evento anual que atrai turistas de todas as partes, assim como competidores e comerciantes de cavalos. 

A Corrida de Escorpião nada mais é do que uma corrida de cavalos na orla da praia; acontece que os cavalos não são do tipo comum, mas sim de uma espécie fantástica: os altamente ferozes, indomáveis e perigosíssimos cavalos d'água. Famintas por carne e sedentas por sangue, tudo o que essas criaturas querem é voltar para o mar, seu habitat natural; e é justamente aí que mora um dos principais desafios da corrida, pois, além de precisar se manter na montaria, o jockey (?) também deve fazer o possível e o impossível para manter o cavalo longe da água. Obviamente, muita gente se machuca e muita gente morre. Mas por que raios alguém iria se jogar nessa cilada?, o caro leitor pode estar se perguntando. Pela glória, talvez, mas, principalmente, pelo prêmio. Muitas pessoas apostam nas corridas e há sempre uma alta quantia de dinheiro envolvida, o que é parte dos motivos que levam os protagonistas a decidirem participar da corrida.


Quem são os protagonistas?
Puck Connolly é a irmã do meio e desde que seus pais morreram em um trágico acidente de pesca envolvendo cavalos d'água, ela divide as despesas e as tarefas da casa com os irmãos - Gabe e Finn. Está tudo mais ou menos sob controle até que Gabe, o mais velho, anuncia que irá embora para continente sem dar muitas explicações. Com a situação financeira familiar bastante lamentável, Puck decide se inscrever para a Corrida de Escorpião, o que, normalmente, já seria visto como uma loucura, só que nesse caso é ainda pior já que 1) por não ter um cavalo d'água, ela decide correr com sua égua ~normal~ e 2) ela é uma garota, o que contraria o regulamento da corrida, que só permite homens e garotos. Além disso, ela não tem muita experiência com corridas.

Sean Kendrick é o principal campeão das Corridas de Escorpião e, por isso, um dos  maiores atrativos para turistas interessados em apostar no evento. Após perder seu pai quando ainda era criança, ele foi ~adotado~ por Benjamin Malvern, o homem mais rico da ilha, que lhe ofereceu abrigo e emprego como ~domador de cavalos~ em seu aras. Durante praticamente toda a sua vida, Sean viveu para os cavalos e, principalmente, para Corr, um garanhão vermelho d'água imprevisível, veloz e cobiçado. Contudo, com exceção de Sean, ninguém consegue domá-lo. Fica muito claro, logo no início, que Corr e Sean têm um vínculo muito forte e é justamente por isso que o rapaz tolera a condição em que vive - que não chega a ser de escravidão, mas beira isso -, apesar de já ter juntando dinheiro o suficiente para não precisar manter o trabalho no aras e, principalmente, continuar se arriscando nas corridas.

São eles que nos contarão a história, com capítulos que se intercalam entre as perspectivas de cada um.

O que eu (mais) gostei?
Os personagens, principalmente o Sean. Gosto da forma como Maggie Stiefvater nos apresenta a ele por meio de sua narrativa, mas também pela visão que os outros habitantes de Thisby têm dele. Mas, mais que isso, gosto da personalidade do Sean; da forma como ele é deslocado, indomável e um pouco ~misterioso~, mas também bastante vulnerável, ainda que não o demonstre. O que mais me fascinou é o quanto ele me pareceu real, a ponto de eu acreditar que alguém como ele poderia existir fora dos livros. Não é sempre que consigo me sentir assim em relação a personagens literários e adoro quando acontece. A Puck também é ótima, apesar de me irritar um pouco com a sua impaciência e na forma como se relaciona com os irmãos. Ainda assim, acho muito louvável a postura determinada que ela adota ao lidar com os perrengues que a vida coloca em seu caminho, se recusando a aceitar o papel que esperam que desempenhe e desafiando os padrões ao participar da Corrida de Escorpião. Gosto também da maneira como ela e o Sean se conhecem e como o relacionamento entre os dois é construído de forma sutil e natural.

Outro aspecto que me agradou é a atmosfera da história, que tornou toda a experiência de leitura bastante imersiva. Conseguia "enxergar" a ilha e seus habitantes, sentir os cheiros descritos, assim como a brisa do mar; além de ter uma imagem muito nítida dos cavalos correndo ao pôr do sol. Da mesma forma que tudo me parecia bem idílico, também consegui captar o temor das corridas e a inércia aprisionadora de Thisby, que creio ter sido a intenção da autora.

Por fim, acho que é impossível falar do que gostei no livro sem mencionar a relação do Sean com Corr. Muito mais do que sua montaria, o cavalo d'água parece ser o único que entende o que acontece na mente de Sean, quais são os seus traumas e os seus anseios. É quase como se um fosse reflexo do outro. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, é muito linda a relação dos dois. ♥

O que pode ser motivo para não gostar?
Talvez algumas pessoas se incomodem com o ritmo do livro, que pode parecer demorar um pouco para ~engrenar~. Para mim, não foi um empecilho e gostei de degustar a leitura no meu tempo - levei mais de um mês! -, o que me proporcionou a criação de vínculos com os personagens e me sentir dentro da história.O título também pode passar a ideia de ser uma história de ação e o leitor menos avisado pode se frustrar. Não que a ação não desempenhe um papel na história, mas é só mais para o fim, quando a corrida acontece. Antes disso, é mais uma construção de tudo que irá culminar no desfecho.

Esta é uma leitura que me fez sentir?
Com certeza! Inclusive, acho que foi justamente pela quantidade de feels que demorei tanto para concluir a leitura. Adoro quando um livro me tira da realidade, me envolvendo ao ponto de eu começar a sentir raiva de situações e personagens, levar a sério alguns diálogos, me ofender quando meu preferido é magoado, etc. Esse livro me fez ter algumas reações físicas, como soltar gritinhos e ficar com um sorrisinho besta na cara. É possível que isso tenha ocorrido porque achei Sean Kendrick altamente crushable? É possível sim and I regret nothing.

Recomendo pra quem?
Temos aqui uma pergunta que não sei muito bem como responder. Gostei muito do livro, achei bastante envolvente e, sinceramente, recomendaria para todo mundo que busca uma história com personagens cativantes. Para quem gosta de histórias de fantasia, o elemento aparece aqui, mas de forma bastante sutil, quase imperceptível, então é interessante ter isso em mente. Digo o mesmo em relação a ação. Se você procura uma leitura cheia de reviravoltas e ganchos ao final de cada capítulo, talvez esta não seja a melhor opção. Agora, se você se interessou, mas tem um pé atrás quando o assunto é YA, acho que The Scorpio Races pode ser interessante porque, tirando a idade dos personagens (algo entre os 19 anos, acho), não senti que é um livro adolescente. Muito pelo contrário, achei os dilemas apresentados bastante palpáveis e, em alguns pontos, fáceis de se relacionar. Dadas as ressalvas, recomendo muitíssimo a leitura. Com certeza um dos meus favoritos do ano.
I don't trust the ocean, either; it would kill me as soon as not. It doesn't mean I'm afraid of it.


Um Comentário

  1. A tua resenha ficou ótima! Sério, você ainda tá sabendo bem escrever sobre livros, sim, haha. <3

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