{Janeiro de 2017}

Faz um milhão de anos desde que gravei o último vídeo para o meu canal no YouTube e como, até o momento, não me bateu nenhum arrependimento ou vontade de fazer algo a respeito, irei utilizar este espaço para comentar brevemente sobre as minhas leituras durante o mês de janeiro (leia: duas mini-resenhas e depois comentários curtos sobre o que estou lendo). 

Postcards from the Edge (Carrie Fisher)
Aqui somos apresentados à Suzanne Vale, uma jovem atriz que, após sofrer uma overdose e passar meses internada em uma clínica de reabilitação, precisa se readaptar à sua vida e carreira. O livro é dividido em duas partes: a primeira trata do período em que a protagonista está internada e a segunda, dos meses que se seguem depois que é liberada.

Acho que o que eu mais gostei na leitura é o quê de autobiografia. Para mim, foi impossível não imaginar Suzanne com a aparência de Carrie ou não considerar muitas das observações da personagem como sendo as da própria autora. Basta assistir a alguma entrevista com a atriz para conhecer um pouco de seu humor, que também se faz presente no livro. Assim, cada comentário vem carregado de uma boa dose de sarcasmo e, claro, de crítica à Hollywood e o estilo de vida que propaga. Creio que as situações vividas por Suzanne sejam recorrentes na indústria cinematográfica - puxação de saco de gente pedante, o vício em drogas, a escolha de uns papeis meio duvidosos porque é o que tem, as amizades falsas, as fofocas nos banheiros das festas, etc.  - e duvido que Carrie Fisher tenha sido a primeira pessoa a tratar delas, contudo, há sim aquele peso por se tratar das palavras de alguém que viveu e viu aquela realidade bem de perto. Ainda no que toca na questão da autobiografia, também achei inevitável relacionar a relação conturbada de Suzanne com sua mãe com a da própria Carrie com Debbie Reynolds. No caso, senti algumas alfinetadas.

O que mais me marcou, talvez, tenha sido a forma como Carrie tratou da dependência química. Por meio de trechos de diários de Suzanne e de outro personagem, Alex, o leitor tem acesso aos pensamentos de uma pessoa viciada e que luta contra isso, mas que também lida com a perversidade de seu vício. Gostei principalmente do momento em que ela retrata um momento de recaída. Fiquei meio sem fôlego e definitivamente angustiada. Saber também sobre como pode ser reclusivo o período de readaptação à sociedade depois da reabilitação foi algo que me chamou a atenção porque, realmente, nunca tinha parado para pensar nesta questão. Creio que, mesmo sem entrar em pormenores e usar os termos exatos, o livro também aborda a depressão e a bipolaridade - dois distúrbios que fizeram parte da vida de Carrie Fisher.

De forma geral, gostei do livro. Não morri de amores, mas gostei de ter lido pois sinto que pude conhecer um pouco mais sobre Carrie Fisher, uma mulher que admiro. Como cheguei a mencionar em outro post, comecei a leitura em uma edição antiga e com uma tradução bem ruim e, por isso, pode ser que tenha perdido parte do encanto da leitura. Se puder, leia no idioma original. Ah, o livro tem uma continuação - The Best Awful -, que não sei exatamente sobre o que trata, mas tenho sim o interesse em ler eventualmente.


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