Tubarão, de Peter Benchley


Sobre o que é?
De forma geral, sobre a fictícia cidade Amity, Long Island, um balneário que vive do turismo local e que tem a próxima temporada de verão ameaçada pela presença de um temível e enorme tubarão branco que passa a atacar os banhistas. É também uma história sobre o chefe da polícia local, Martin Brody, e sua esposa, Ellen.


O que eu mais gostei?
Com certeza, o fato de ter as minhas expectativas superadas. Lembro pouco do filme dirigido por Steven Spielberg e tinha para mim que a história seria apenas sobre um monstro do mar que ataca pessoas inocentes na praia. Em partes, é exatamente isso, porém vai além e nos entrega uma história de suspense cheia de tensão, um pouco de romance e ares de aventura. Aqui acompanhamos os esforços de Martin Brody para encontrar o tubarão em tempo de salvar a temporada de verão de Amity e evitar que a economia da cidade seja afetada. Porém, são muitos os obstáculos em seu caminho, que vão desde a dificuldade para compreender o que uma criatura tão letal estaria fazendo tão próxima da  praia até os interesses de políticos e mafiosos, que estão determinados a manter a cidade funcionando como se nada estivesse acontecendo, mesmo que isso implique na morte de pessoas inocentes.

Muito do que me fez gostar de Tubarão se encontra capacidade de ambientação da narrativa de Peter Benchley. Ao ler, era como se estivesse assistindo cenas se desenrolarem em minha mente, principalmente nos momentos que antecediam um ataque do tubarão, cheios de tensão. Creio que este seja um fator importante em uma narrativa de aventura, pois faz com que a história mantenha o ritmo e continue prendendo a atenção do leitor, que não pode evitar deixar se envolver com Amity, seus moradores e, principalmente, o relacionamento de Brody e Ellen.

Achei curioso como um mesmo livro manteve o meu interesse trazendo dois focos bastante distintos. De um lado, toda a atmosfera de tensão por não saber qual será o desfecho da história do tubarão; de outro, um ~triângulo amoroso~ que parece não servir para muita coisa, mas que funciona como um elemento para aprofundar os personagens principais, lhes agregando camadas, lhes tornando mais humanos e, de certa forma, fazendo com que consigamos os compreender melhor.

Outro ponto que vale a pena mencionar é que o livro proporciona ao leitor reflexões acerca da natureza e, principalmente, da natureza humana; e levanta o questionamento sobre quem seria o verdadeiro monstro na história: o tubarão - que age por instinto - ou o ser humano - que age em sua defesa, mas também sente prazer em caçar e matar um animal? Ou que pouco se importa em deixar uma criatura feroz à solta desde que a ação não interfira em seus interesses políticos e econômicos?

Por fim, também gostei do texto de apresentação da obra escrito pelo próprio autor em 2005 (apenas um ano antes de sua morte), que explica que, apesar de seu fascínio por tubarões ter surgido ainda na infância, na época em que ele escreveu Tubarão, seus conhecimentos sobre as criaturas não eram tão aprofundados e, por isso, alguns equívocos foram cometidos. O principal deles é o fato de que em seu livro, o grande tubarão branco persegue e ataca humanos, coisa que no mundo real é muito rara, já que esse animal os evita. No mesmo texto, Peter Benchley aproveita para se desculpar e explicar que jamais poderia ter escrito Tubarão atualmente, pois não seria capaz de transformar um animal tão importante para a natureza em um monstro.
Jamais demonizaria um animal, especialmente um que é muito mais antigo e muito mais bem-sucedido em seu habitat do que o homem foi ou um dia será, um animal que é vitalmente necessário para o equilíbrio da natureza no mar, e um animal que iremos - se não mudarmos nossos comportamentos destrutivos - extinguir da face da Terra.

Após a leitura deste trecho, passei a pensar no quanto os tubarões, ainda que assustadores, são misteriosos e belos à sua maneira e, como todo e qualquer ser vivo, merecem o nosso respeito.

O que pode ser motivo para não gostar?
Como o livro foi publicado nos anos 70 e muitas das discussões em pauta hoje não estavam tão em evidência, é possível encontrar alguns diálogos com um discurso bastante assustador - do pior jeito possível - para os dias atuais. É o caso de comentários racistas e machistas. O mais preocupante, para mim, foi o trecho em que uma das personagens femininas tem uma fantasia sexual de ser estuprada e tudo é mostrado de forma bem romantizada, o que jamais passaria em uma revisão feita em 2018. Logo, é importante levar em consideração o contexto em que o livro foi publicado e exercer o senso crítico.

Recomendo para quem?
Todos aqueles que gostam de histórias ambientadas em praia, cidades litorâneas ou com trechos em alto-mar. Também pode ser uma boa opção para quem procura uma leitura com suspense e com potencial para te deixar tenso. E, claro, para os fãs do filme.

Considerações finais:
Fiz a leitura pelo Kindle e em vários trechos em que são inseridos textos de jornais com uma fonte diferente, os números não apareciam. O mesmo ocorreu em partes em que a idade de um personagem é revelada. Não chega a ser algo que atrapalha a leitura, mas achei interessante mencionar.

Aquele peixe é uma beleza. É o tipo de coisa que faz você acreditar em Deus. Te mostra o que a natureza é capaz de fazer quando faz a sério.

★★★


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