COISAS QUE GOSTEI: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón


A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, é um dos meus livros preferidos da vida e após ter feito uma releitura no ano passado, hoje trago uma lista das coisas que mais gosto nele.

O início 
Tenho para mim que o início é uma das mais importantes partes de um livro - se não for, de fato, a mais importante -, já que é dele a responsabilidade por visgar ou não um leitor. No que diz respeito ao início de A Sombra do Vento digo que não apenas me cativou logo nas primeiras frases, como também se tornou um dos mais inesquecíveis que já li. Me ganhou por, ao mesmo tempo, trazer um quê de familiaridade e instigar a minha curiosidade.



História de formação
Não sei se já cheguei a mencionar, mas em todo caso, fica aqui o lembrete (?) de que adoro histórias de formação. Então, imaginem a minha alegria ao me dar conta de que A Sombra do Vento, com seus muitos aspectos interessantes, também tem uma história desse tipo. Aqui acompanhamos o amadurecimento de Daniel Sempere - o narrador e protagonista - durante a sua adolescência, quando desvenda os mistérios da vida de Julián Carax e, ao mesmo tempo, vive experiências que lhe transformarão para sempre.

Atmosfera de mistério e investigação
Não é segredo para ninguém que eu gosto de histórias policiais e um dos fatores que me fazem adorar A Sombra do Vento é que o livro traz elementos do gênero. Tanto quando Daniel e Fermín resolvem investigar o intrigante escritor Julián Carax, quanto nos momentos em que figuras sinistras escondidas nas sombras espreitam na calada da noite, o que predomina é uma sensação de suspense e uma atmosfera misteriosa completamente envolventes.

Fermín Romero de Torres
Os personagens do livro são bem construídos e até o mais secundário tem uma chande de brilhar, mas aquele que faz as vezes de coadjuvante e acaba por roubar a cena é, sem sombra de dúvidas, Fermín Romero de Torres. Com um passado nebuloso e cheio de interrogações, Fermín carrega muito sofrimento e tem todas as razões do universo para ser uma pessoa amarga, mas opta por ser sempre otimista e dono de um coração enorme. Cativante do começo ao fim, ele faz com que a gente queira fazer parte de seu círculo de amizades.

Narrativa envolvente
Carlos Ruiz Zafón escreve muito bem e sua narrativa é uma delícia. Assim, A Sombra do Vento se revela aquele tipo de livro que faz a gente se lembrar do porquê de gostar tanto de ler, já que devoramos as páginas sem nem perceber. Meio poética e com bastante humor, a escrita é cheia de referências literárias e traz ares de Alexandre Dumas.

A relação de Daniel com seu pai
Daniel se se tornou órfão de mãe quando ainda era pequeno e seu pai é a sua única família. É lindo perceber que, mesmo com tanta tristeza e amargura em sua vida, o senhor Sempere fez tudo o que estava ao seu alcance para proteger o seu filho dos horrores do mundo e lhe proporcionar uma criação saudável, em meio àquilo que ele considera o que há de mais valoroso: os livros. Os dois comandam a livraria Sempere & Filhos - passada de geração para geração - e tem ótimas conversas sobre a vida, o universo e tudo mais por lá.

Barcelona 
Por meio de sua narrativa envolvente, Carlos Ruiz Zafón faz o leitor viajar no tempo e o conduz pelas ruas de Barcelona durante a primeira metade do século XX. Aqui conhecemos a cidade antes das guerras -  com seus casarões cheios de histórias e segredos de famílias renomadas que tiveram fins trágicos - e o que restou depois dos conflitos. É tudo bastante visual e durante a leitura, me imaginei andando pelas ramblas e pela Avenida del Tibidabo, bebendo um café no Els Quatre Gats, avistando o castelo de Montjuïc, encontrando a livraria Sempere & Filhos na rua de Santa Ana, etc. Realmente, uma viagem.

O Cemitério dos Livros Esquecidos
Claro que não poderia fazer uma lista de coisas que adoro em A Sombra do Vento e deixar o fascinante Cemitério dos Livros Esquecidos de fora. No começo da história, após o enterro de sua esposa, o senhor Sempere apresenta o lugar à Daniel, que encontrará o livro que irá mudar a sua vida. O lugar é uma enorme biblioteca com todos os livros do mundo escondida em um labirinto debaixo de Barcelona e são poucas as pessoas que sabem a sua localização. É um santuário para os livros, que contém a alma de quem os escreveu e também de quem os leu. O Cemitério dos Livros Esquecidos aparece nos outros livros da série, mas é aqui, através dos olhos do pequeno Daniel, que o visitamos pela primeira vez.





Um comentário

  1. Eu AMO, AMO, AMO, AMO esse livro com todo o meu coração e nem tenho palavras pra descrever o quanto ele me deixa encantada e apaixonada. Zafón é O Meu Escritor Favorito Da Vida e eu ainda não escrevi o suficiente sobre esse homem, não tanto quanto ele merece, SENHOR.
    Me deu uma saudade enorme da série do Cemitério dos Livros Esquecidos lendo esse texto, e de novo uma vontade insana de comprar o último lançamento (por que tão carooooooooooo?! Ahhhhhhhh). <3

    ResponderExcluir