Sobre reavaliar e abandonar metas de leitura


Já estamos quase em agosto e não posso mais adiar: é uma verdade universalmente desconhecida que esta que vos escreve é incapaz de cumprir promessas literárias dentro de um prazo determinado. É disso mesmo que estou falando, do abandono das metas literárias estabelecidas no início do ano. Para ser justa e coerente, este é um comportamento que apresento todos os anos desde 2013, quando comecei a registrar a minha vida literária na internet e, consequentemente, me jogar em todo e qualquer desafio proposto durante os quentes e ensolarados dias de verão, quando tudo parece possível.

Contudo, com o passar das semanas, a chegada do frio e dos perrengues da vida, é inevitável que eu olhe para trás, para as promessas que fiz ao observar a minha estante, e perceba que uma reavaliação é necessária. Normalmente, sou bem sucinta: é, eu estava louca quando decidi ler esses livros e, obviamente, não vai dar mais tempo, então segue o baile, o importante é ser feliz #YOLO. Em 2018 não farei diferente. Como sei que jamais seria capaz de me forçar a ler algo que não queira unicamente pelo (des)prazer da leitura, resolvi que sim, alguns livros irão permanecer na estante por mais alguns meses ou anos e não há nada que eu possa fazer a respeito disso. Quando tiver que ser, será.

Não vou mentir, rola sim uma pequena frustração por abandonar desafios. Principalmente os mais simples, como seguir uma lista de leituras que despertam o meu interesse há anos e que eu tenho certeza de que irei amar conhecê-los. Mas a minha verdade, no momento, é a de que a minha realidade de leitura vem sofrendo alterações há dois anos e, por mais que eu continue apaixonada por literatura, pelos livros e pelo hábito de leitura, preciso me desprender da ilusão de que dou à eles o mesmo espaço que costumava dar. Pois não dou e não acho que isso vá mudar tão cedo. E tudo bem. Não sou mais ou menos leitora por isso, certo?

A pessoa que eu era em 2013 é bem diferente de quem sou em 2018 e isso é ótimo, a vida é assim mesmo. A gente muda, nossas responsabilidades mudam, assim como nossas prioridades e nossos interesses. Hoje a literatura, ainda que ocupe um lugar de destaque na minha vida, não é para onde direciono o foco na maior parte do tempo e, mesmo que isso me frustre um pouco, também me liberta. Depois de cinco anos tentando, sinto que já tenho conhecimento sobre mim o suficiente para concluir que não sou uma pessoa de metas literárias. É isso, não sou mais uma pessoa que lê todos os dias e, realmente, não sou uma pessoa que segue à risca as metas impostas no início do ano. Nunca fui e, provavelmente, nunca serei. E tudo bem.

O importante é sempre lembrar que a leitura deve ser sempre uma atividade que me traz alegria - além de mais um monte de outras coisas positivas - e para que isso aconteça, preciso também me lembrar de respeitar o meu momento de leitora e, principalmente, de escutar as minhas vontades literárias. Preciso parar de complicar aquilo que não está aqui para ser complicado.

Em janeiro, publiquei no YouTube um vídeo mostrando os livros que gostaria de ler em 2018. Até o momento, li apenas dois (Memórias da Princesa - Os diários de Carrie Fisher e As Garotas). Outros dois foram abandonados (Momo e A Redoma de Vidro), pois apesar de interessantes, certamente não estavam me agradando o suficiente para que eu persistisse na leitura. O que não quer dizer que não possa vir a amar essas histórias no futuro, quando sentir que está na hora de tentar mais uma vez. Mal posso esperar. E até lá, lerei aquilo que sentir vontade ou aqueles livros que me chamarem.  

4 comentários

  1. Oi, Michas, tudo bom? :D

    Esse texto veio na hora certeira pra mim. É isso mesmo que estou sentido; exatamente como você: a literatura é importante na minha vida, só não estou dando tanta atenção pra ela agora. E tá tudo bem.
    Eu andava me sentindo culpada, até por ter o canal literário né? Mas acho que tem que se despir disso e levar as leituras como algo natural, sem forçação. Se não a gente fica meio doido e acaba pegando ranço até de algo que se adora fazer, que é ler.
    Obrigada pela elucidação, hehe.

    E vamos lendo o que der vontade ;) Boas leituras pra ti!
    Beijins!

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  2. amiga, a gente não pode se cobrar demais só pra bater metas que nós mesmas criamos. tipo, é muito bom ler mais e ter a satisfação de cumprir com uma meta literária (que nos traz sempre coisas boas, como o descobrimento de novas histórias, novos lugares etc.), mas não vale a pena se estressar por isso ou fazer uma leitura sem vontade. não pode ser obrigatório, tem que ser por vontade mesmo. não podemos esquecer disso.

    (também preciso lembrar disso porque às vezes acabo me forçando demais hahaha)

    ;*

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  3. Olá! Acho que é minha primeira vez no seu blog e já caio num tema que tenho muito a discursar sobre, hahaha!

    Até ano passado, eu tinha a meta do Skoob e nela, basicamente, constava todos os livros que eu tinha adquirido e ainda não tinha lido (e isso incluía os que eu ia comprando durante o ano). O problema é que essa meta já começou bem grandinha, pois havia livros lá que eu tinha comprado há anos, numa época em que até poderia ter feito sentido o meu interesse pela história, mas que tempos depois, só sentia a "obrigação" de lê-lo. E então, o negócio foi tomando uma proporção gigante e que me jogou num limbo: eu não podia/queria comprar mais livros porque já tinhas muitos sem ler e não lia porque os que eu tinha não me interessavam. Foi aí que a ficha caiu que meta e desafios não eram pra mim. Eu gosto de ler aquilo que estou com vontade de ler. (Descobri também que comprar livros só porque estão em promoção nem sempre é uma boa ideia.)

    Um pouco antes, eu já tinha descoberto o alívio que era abandonar um livro (no início da minha vida de leitora, achava inconcebível abandonar um livro!) e agora me libertei também das metas. Ainda tenho aqueles de váááários anos, mas estou passando pra frente e, se são e-books, ficam lá quietinhos até eu ter vontade de tentá-los novamente.

    E tá tudo ótimo. :)


    PS: isso de estar pronto pra história me aconteceu com O Senhor dos Anéis. Quando tentei lê-lo pela primeira vez, achei chato, entediante, como alguém poderia gostar de páginas e páginas de descrições?! Anos depois, peguei novamente e hoje é um dos meus livros favoritos. s2

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  4. te entendo totalmente e respeito muito isso. nunca tive muito tempo pra ler porque comecei a ler direito na faculdade, mas leio diariamente (ou quase) e isso pra mim já é suficiente. antes lia três livros por ano, hoje leio dezoito, hahaha, mas sem metas. até tentei escolher livros que queria ler esse ano pra ter um pouco de foco, mas não sigo a risca não. tenho total noção que sou mood reader. independente do que cada uma seja, o importante é, como você disse, o prazer da leitura e não o desprazer. todo resto é secundário.
    beijoo

    www.paleseptember.com

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