A Química que Há Entre Nós, de Krystal Sutherland


A Química que Há Entre Nós, de Krystal Sutherland, traz a história de Henry Page, um adolescente que está no último ano do colégio e nunca se apaixonou. Enquanto ele imagina que o momento em que conhecerá o grande amor de sua vida será como no cinema, a realidade não poderia ser mais diferente. Grace Town, a nova e misteriosa aluna na turma de Henry, chama atenção por sua aparência desleixada - cabelos bagunçados, roupas masculinas largas e uma bengala.

Após serem escolhidos como editores do jornal da escola, não demora muito para que Henry se aproxime de Grace e perceba que, além de terem muito em comum, também há algo de bastante frágil nela. Intrigado, ele tenta descobrir mais sobre o passado de Grace e, aos poucos, tenta ajudá-la a se encontrar novamente.


***

A princípio, achei que o livro seria apenas mais uma história em que um garoto se apaixona por uma garota misteriosa - algo como Quem é você, Alasca? e Cidades de Papel, ambos de John Green -  e, de certa forma, foi exatamente isso que encontrei. Contudo, o livro tem sim o seu encanto e alguns aspectos merecem destaque.

Sem sombra de dúvidas, o aspecto que mais me chamou atenção foi a voz de Henry, que é quem narra a história. Apesar de ser um adolescente comum, sua personalidade é bem definida e isso transparece pela forma como ele conversa com o leitor, se utilizando de referências o tempo todo sem soar como algo forçado. Ele quer ser escritor e é possível que isso tenha a ver com a maneira como se expressa. Também gostei de como nessa história é o garoto que quer se apaixonar e cria expectativas sobre como tudo irá acontecer. Não li muitos livros com essa premissa e que tragam a essa perspectiva, então acho interessante destacar.

I'd always been decent at writing, at putting words together. Some people are born with an ear for music, some people are born with a talent for drawing, some people - people like me - have a built-in radar that tells them where a comma needs to go in a sentence.

Grace Town também foi uma grata surpresa ao se revelar como algo muito mais complexo do que uma manic pixie dream girl na história de Henry (a autora, inclusive, chega a brincar com esse estereótipo em um determinado diálogo). O leitor logo percebe que ela traz camadas profundas por trás de todo o mistério e de sua aparência desleixada e, assim como Henry, quer descobrir o que aconteceu com ela para que ficasse assim. 

When I look up into the night sky, I remember that I'm nothing but the ashes of long-dead stars. A human being is a collection of atoms that comes together into an ordered pattern for a brief period of time and then falls apart again. I find comfort in my smallness.

O romance, que acontece de forma natural e em um ritmo coerente, também funciona bem, tendo seu momento de destaque, mas sem tirar o foco de outros aspectos do livro, como alguns personagens secundários e a dinâmica de Henry com eles. Lola e Muz, seus melhores amigos, têm seus próprios conflitos e isso faz com que eles pareçam reais, ao invés de servirem apenas como um elemento na história do protagonista. 

Por fim, o ponto que, para mim, foi o mais interessante: o desfecho. Como mencionei anteriormente, o livro traz uma premissa bastante batida, que já vimos em outros livros, além de filme e séries de TV Porém, a autora soube se utilizar de algo comum para criar uma história que, mesmo sem inovar, tem alguma personalidade. O final do livro foi onde enxerguei melhor essa característica, já que a história poderia seguir por caminhos óbvios, mas acabou me surpreendendo. Tudo se encerra de forma bastante realista e coerente, transmitindo uma mensagem que, penso, ser bastante válida para o público ao qual o livro é indicado. 

Leitura recomendada para aqueles que gostam de livros YA contemporâneos com foco em primeiros relacionamentos e o amadurecimento que esse tipo de experiência pode proporcionar. Se você gosta de ler histórias que aconteçam durante a época de colégio e que abordem temas típicos dessa fase da vida, pode ser que A Química que Há Entre Nós também seja do seu interesse. No Brasil, o livro foi publicado pela editora Globo Alt.

Love doesn't need to last a lifetime for it to be real. You can't judge the quality of a love by the length of time it lasts. Everything dies, love included. Sometimes it dies with a person, sometimes it dies on its own. (...) Don't mourn a failed love; there's no such thing. All love is equal in the brain.

★★★

2 comentários

  1. Já havia ouvido falar sobre esse livro, mas não sabia realmente do que ele se tratava até agora. Acho que nunca dei muita bola para ele por causa do título. À primeira vista parece ser só mais do mesmo, e isso me desanima. Porém sua resenha me deixou com vontade de lê-lo e provavelmente entrará na minha próxima compra.

    Beijinhos

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  2. Oi, Eva Vitória

    Pois é, eu pensei a mesma coisa quando li a sinopse. E, como disse, em alguns momentos o livro é realmente mais do mesmo. Contudo, acho que a autora conseguiu se utilizar bem dos clichês e contou uma história legal e que passa uma mensagem válida. O livro acaba tendo o seu valor :)
    Fico feliz que tenha se interessado! Depois me conta o que achou :)
    Obrigada pela visita e pelo comentário!
    Beijos <3

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