Poirot Investiga, de Agatha Christie


Poirot Investiga, publicado em 1924, é o quinto livro escrito por Agatha Christie e o terceiro a trazer o famoso detetive belga Hercule Poirot. São catorze contos reunidos, nos quais mais uma vez acompanhamos as investigações de Poirot por meio da perspectiva de Arthur Hastings. Ao contrário do que ocorre com os romances em que os crimes costumam ser de assassinato, o que temos aqui é uma mistura de temáticas mais "leves" e que, de forma geral, não envolvem morte.


Em A aventura do Estrela do Ocidente, temos um caso de roubo de joia bem divertido e sobre o qual já escrevi melhor aqui. No segundo conto, A tragédia de Marsdon Manor, Poirot investiga um assassinato e achei o final surpreendente. A aventura do apartamento barato é um conto curioso, quase enigmático, e bastante confuso, mas que faz bastante sentido uma vez que as peças começam a se encaixar. O mistério de Hunter's Lodge é um caso solucionado à distância por um Poirot doente e acamado que envia Hastings em seu lugar, com a função de ser seus olhos e ouvidos. Achei O roubo de um milhão de dólares em obrigações do tesouro um pouco sem graça e previsível, porém intrigante. A solução está nos detalhes.

A aventura da tumba egípcia, apesar de não ter atingido as minhas expectativas, acabou por ser o melhor conto do livro, provavelmente por conta do cenário. Poirot e Hastings, após ler sobre as mortes de duas pessoas envolvidas em uma expedição arqueológica, vão até o Egito para investigar os acontecimentos. O roubo das joias no Grand Metropolitan é mais um caso de roubo de joias e, sinceramente, não gostei tanto. O mesmo digo sobre O Primeiro-Ministro sequestrado, que achei longo, confuso e com uma "pegada" mais de espionagem, que não é um dos aspectos que mais me agradam na obra de Agatha Christie. Em O desaparecimento do Sr. Davenheim, o caso é intrigante e me lembrou um pouco alguns aspectos de Assassinato no campo de golfe

A aventura do nobre italiano é também um dos meus preferidos. O conto começa com uma ligação misteriosa de um homem dizendo que está morrendo. Ao chegar ao local da morte, Poirot se atém à detalhes aparentemente irrelevantes, mas que logo se tornam a chave para a solução. Em O caso do testamento desaparecido, Poirot precisa ajudar uma jovem a encontrar o testamento deixado por seu tio antes que seja tarde demais. A dama de véu também é um caso em que os detalhes são essenciais para a solução, além de começar indicando um rumo e, de repente, se transformar em algo bastante diferente. Em A mina perdida e A caixa de bombons, Poirot conta para Hastings histórias do tempo em que trabalhou como investigador de polícia. Nesse último, irá relatar um caso no qual fracassou, revelando que até Hercule Poirot se engana.

***

De forma geral, gostei da leitura. É sempre complicado falar sobre livros de contos, já que de uns gostei mais e de outros gostei menos, ou quase nada. Uma das coisas que mais gosto quando estou lendo os casos do Poirot é poder compreender os processos de sua investigação, entender como suas células cinzentas funcionam e perceber como cada ponto da história tem seu nó. Porém, em Poirot Investiga isso quase não ocorre, já que os contos são curtos e suas soluções não demoram a surgir - na maioria das vezes, de forma abrupta e quase "mágica". O que mais me agradou foi a possibilidade de acompanhar a dinâmica entre Poirot e Hastings, compreendendo melhor o lado do narrador. Ainda que continue considerando Hastings um sujeito meio bobo e que mais atrapalha do que ajuda, compreendo que deve ser difícil lidar com alguém com uma personalidade tão forte e ego tão inflado como Poirot. Ao mesmo tempo, é bem legal perceber também que Poirot reconhece seus defeitos e valoriza a amizade de Hastings.

Por fim, não recomendaria Poirot Investiga como porta de entrada para aqueles que querem conhecer o trabalho de Agatha Christie. Também não acho que o livro seja um dos seus melhores trabalhos, devendo ser interessante apenas para quem já gosta da autora e de seus personagens.

★★★


Nenhum comentário