Um milhão de finais felizes, de Vitor Martins


Sabe aquela sensação gostosa de conforto que só um banho quente ou uma colherada de brigadeiro de panela podem proporcionar? Pois foi exatamente a sensação que que tive ao Um milhão de finais felizes, de Vitor Martins, lançado este ano pelo Globo Alt.

Aqui conhecemos Jonas, um jovem que está meio perdido e não sabe muito bem o que fazer com sua vida depois que terminou o Ensino Médio. Ele quer ser escritor e anota todas as ideias de histórias que parecem ótima em um caderninho de bolso que está sempre ao seu alcance. 

Um dia, durante o seu turno de trabalho no Rocket Café, ele conhece Arthur, um garoto de barba ruiva que parece um pirata e lhe inspira a começar a escrever uma história com protagonistas muito parecidos com eles dois. Enquanto tenta entender os seus sentimentos em relação a Arthur, Jonas também precisa lidar com uma família conservadora e que não sabe que ele é gay, além dos desafios de manter as amizades de colégio quando a vida adulta começa a consumir o seu tempo. 

A primeira coisa que chamou minha atenção logo que comecei a ler foi o tom descontraído e bem humorado da narrativa, que faz com que Jonas pareça real e acaba por nos aproximar dele. Adorei que, ao mesmo tempo em que há uma leveza em tudo, também há uma dose certa de drama, o que mais uma vez deixa tudo muito real. Ler sobre a relação de Jonas com seus pais foi de partir o coração e saber que essa é a realidade de muitas pessoas é ainda mais doloroso. Outro ponto que merece destaque é a maneira cuidadosa com que o Vitor abordou a religião nisso tudo. Em nenhum momento ele soa ofensivo.

Além de Jonas, os outros personagens também são bem reais. Os amigos do Jonas, Danilo e Karina, são muito cativantes e queria muito que eles existissem. O Arthur é, além de bonito, muito fofo e jamais poderia julgar o Jonas por ficar meio sem reação quando olha para ele (quem nunca?). Ele tem seus próprios dramas e conflitos, que também ganham espaço. 

Os capítulos são intercalados com partes da história que o Jonas escreveu, o que me lembrou um pouco Fangirl, da Rainbow Rowell, e adorei que o Vitor fez isso também. Se eu tivesse que fazer uma ressalva, seria para dizer que queria ler mais sobre Tod e Bart, os piratas bonitões que integram a tripulação do Verloren II. Tomara que os leitores possam conhecer mais das aventuras dos dois. 

Lembro que quando eu era adolescente, não existia essa variedade de livros voltados para o público jovem adulto e fico muito feliz por saber que a literatura jovem cresceu e continua a crescer. E fico ainda mais feliz por saber que a nossa literatura jovem tem essa voz tão única do Vitor e que muitos adolescentes como o Jonas possam encontrar personagens com os quais se identificar e uma história na qual possam se encontrar. Leitura mais que recomendada! 😉

"A gente não tem controle de nada. Mas você não pode deixar essa falta de controle te impedir de viver o agora"


★★★★

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